O GRUPO DE APOIO À ADOÇÃO “LAÇOS DE AMOR” convida vocês pais adotivos, filhos adotivos, pretendentes à adoção, profissionais da área e demais interessados para fazer parte do nosso grupo.Nele teremos palestras, troca de experiências, divulgação para estimular a adoção e esclarecimentos quando fazemos parte dela. Teremos apoio e presença de profissionais da área.Venha fazer parte desta nova FAMÍLIA!!

Informações: gaala_praiagrande@hotmail.com

Primeira Reunião de 2011




Data: 17/02 das 20:00 às 22:00hs

Local: Colégio COC Novomundo - Av. Mal. Mallet, 392 - Forte/PG

Tema: Legitimidade

Palestrante : Rubens Gonzalez Esteves - Pai de 4 filhos, professor de História com pós em Formação de Gestores Municipais e Políticas da Educação.
Ex-diretor da Casa do Adolescente de Praia Grande e membro do grupo de voluntários da Casa da Criança.

Contamos com todos em nosso reencontro!!!

Adoção Tardia no Jornal do SBT

ADOÇÃO TARDIA

“A mãe da Ana chegou! A mãe da Ana chegou!” Foi o que gritaram as crianças quando viram um carro entrar no abrigo na última quarta-feira. Ana, de 8 anos, e o irmão Pedro, de 4, iriam, enfim, para casa. Com um vestido lilás, a menina caminhou com passos lentos, desviando dos amiguinhos que estavam em seu caminho. De mãos dadas com o irmão, foi ao encontro do casal que até alguns meses atrás chamava tios. Quando chegaram pertinho, Ana e Pedro pularam no colo dos novos pais, mostrando o quanto esperaram por aquele momento.
A felicidade dos irmãos só foi possível porque o consultor de informática Antônio, de 47 anos, e a economista Carla, 38 , optaram pela adoção tardia. E eles personificam uma tendência: a escolha de crianças com mais de 5 anos tem aumentado no Estado. Entre 2005 e 2006, o número desse tipo de adoção cresceu 71,8%, passando de 160 para 275.
Porém, as adoções tardias representam só 11% do total de pessoas autorizadas - 2.516 - pela Justiça, no ano passado, a adotar crianças no Estado. A maioria (57%) prefere bebês com no máximo 2 anos. Crianças com essa faixa etária, brancas e sem irmãos não “esquentam” lugar nos abrigos.
Quem está fora dessas características tem que entrar na fila, como Ana e Pedro. Ela foi abandonada pela mãe, aos 2 anos, num abrigo da Zona Norte. Depois chegou o irmão, recém-nascido. Eles foram as primeiras crianças a serem apresentadas a Carla e Antônio, casados há 12 anos. Foi amor à primeira vista.
Atualmente, 6.706 brasileiros e 385 estrangeiros esperam sua vez para adotar um filho no Estado. Do outro lado, 1.113 crianças disponíveis não conseguem encontrar uma família. “Esses são casos em que tentamos a adoção e ninguém quis”, disse o juiz responsável pela área de infância e juventude da Corregedoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, Reinaldo Cintra. Segundo ele, isso ocorre por dois motivos: as pessoas querem exercer a paternidade como se tivessem gerado o filho; e não conseguem vencer os mitos que cercam a adoção tardia. “Cicatrizes todas as crianças têm. A diferença está no preparo dos pais.”
O casal de publicitários Rui, 49 anos e Ena Barbosa, 48, não tem dúvidas. “É preciso estar tranqüilo e seguro para fazer a opção”, disse Ena. E assim eles se sentiam quando, em 2004, adotaram Luiza, de 2 anos, Isabela, de 3 e Felipe, de 7. No Fórum, eles haviam pedido dois irmãos, saudáveis e com mais de 1 ano.
O processo levou o tempo de uma gestação. “Mesmo que tivessem saído da minha barriga eu já não poderia escolher”, disse Ena, que não tem filhos biológicos. Ela e o marido decidiram fazer uma adoção tardia porque temiam que um bebê aparentemente saudável manifestasse alguma doença depois. “Só me deixa triste pensar que alguém teve coragem de abandonar os meus filhos.”
O primeiro ano para a nova família Barbosa foi o mais difícil. As crianças chegaram com piolhos e micose. A mais jovem só queria comer salsicha e bolacha de água e sal. No final do primeiro ano, Felipe mal sabia escrever seu nome. Agora, eles já comem brócolis e couve-flor e o menino já leu seu primeiro livro sozinho: “Capitão Cueca”. “Eles chegaram com sentimento de autopiedade, mas agora já aprenderam que são é sortudos”, disse a mãe.
Desde 2004, quando o Tribunal de Justiça começou a coletar e a organizar as informações sobre adoção no Estado, o perfil dos candidatos a pais adotivos pouco mudou. Em 2006, 50% deles tinham entre 31 e 40 anos, 44% cursaram ensino superior, 66% não tinham filhos e 85% são casais.
Se não fosse solteiro, o jornalista Christian Heinlikl, 35, estaria perfeitamente dentro desse perfil. Ele conseguiu a autorização para entrar na fila de adoção em abril deste ano. Em poucos dias, recebeu por e-mail uma lista com o nome das crianças disponíveis e a idade, entre eles, Vinícius, de 8 anos. “Bati os olhos e tive a certeza de que era o meu filho. Esperei oito anos para encontrá-lo.”
Heinlikl sempre quis ser pai. A decisão de adotar uma criança mais velha veio dos encontros num grupo de apoio que começou a freqüentar. “Eu tinha uma série de fantasias que não eram o meu desejo”, disse. Foi quando ele percebeu que não queria um bebê, mas uma criança com quem pudesse conversar. “Eu não troco fraldas do meu filho, tá doendo ele me explica o que é. A gente conversa, ri, chora. É uma delícia.”
Outro aspecto da adoção tardia que fascina Heinlikl é o direito de escolha da criança. O pai novato lembra bem o dia em que Vinícius fez a dele. Uns meses depois da chegada, o menino aprontou e levou uma bronca. A resposta veio de pronto: “Você não é meu pai. Quero voltar pro abrigo.” Com segurança, Heinlikl retrucou: “Se é sua vontade, vou levar você de volta. Mas fique sabendo que sou seu pai pra sempre.” No dia seguinte, o jornalista ligou para o abrigo e passou o telefone para Vinícius conversar com a assistente social. Rapidinho ele desfez o nó: “Tia, eu fiz pirraça pro meu pai, disse que ia embora, mas não vou porque aqui é minha casa. Tchau.”
Com exceção de Heinlikl, os pais pediram para que as crianças não fossem identificadas, temendo problemas com a famílias biológicas.
“A mãe da Ana chegou! A mãe da Ana chegou!” Foi o que gritaram as crianças quando viram um carro entrar no abrigo na última quarta-feira. Ana, de 8 anos, e o irmão Pedro, de 4, iriam, enfim, para casa. Com um vestido lilás, a menina caminhou com passos lentos, desviando dos amiguinhos que estavam em seu caminho. De mãos dadas com o irmão, foi ao encontro do casal que até alguns meses atrás chamava tios. Quando chegaram pertinho, Ana e Pedro pularam no colo dos novos pais, mostrando o quanto esperaram por aquele momento.
A felicidade dos irmãos só foi possível porque o consultor de informática Antônio, de 47 anos, e a economista Carla, 38 , optaram pela adoção tardia. E eles personificam uma tendência: a escolha de crianças com mais de 5 anos tem aumentado no Estado. Entre 2005 e 2006, o número desse tipo de adoção cresceu 71,8%, passando de 160 para 275.
Porém, as adoções tardias representam só 11% do total de pessoas autorizadas - 2.516 - pela Justiça, no ano passado, a adotar crianças no Estado. A maioria (57%) prefere bebês com no máximo 2 anos. Crianças com essa faixa etária, brancas e sem irmãos não “esquentam” lugar nos abrigos.
Quem está fora dessas características tem que entrar na fila, como Ana e Pedro. Ela foi abandonada pela mãe, aos 2 anos, num abrigo da Zona Norte. Depois chegou o irmão, recém-nascido. Eles foram as primeiras crianças a serem apresentadas a Carla e Antônio, casados há 12 anos. Foi amor à primeira vista.
Atualmente, 6.706 brasileiros e 385 estrangeiros esperam sua vez para adotar um filho no Estado. Do outro lado, 1.113 crianças disponíveis não conseguem encontrar uma família. “Esses são casos em que tentamos a adoção e ninguém quis”, disse o juiz responsável pela área de infância e juventude da Corregedoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, Reinaldo Cintra. Segundo ele, isso ocorre por dois motivos: as pessoas querem exercer a paternidade como se tivessem gerado o filho; e não conseguem vencer os mitos que cercam a adoção tardia. “Cicatrizes todas as crianças têm. A diferença está no preparo dos pais.”
O casal de publicitários Rui, 49 anos e Ena Barbosa, 48, não tem dúvidas. “É preciso estar tranqüilo e seguro para fazer a opção”, disse Ena. E assim eles se sentiam quando, em 2004, adotaram Luiza, de 2 anos, Isabela, de 3 e Felipe, de 7. No Fórum, eles haviam pedido dois irmãos, saudáveis e com mais de 1 ano.
O processo levou o tempo de uma gestação. “Mesmo que tivessem saído da minha barriga eu já não poderia escolher”, disse Ena, que não tem filhos biológicos. Ela e o marido decidiram fazer uma adoção tardia porque temiam que um bebê aparentemente saudável manifestasse alguma doença depois. “Só me deixa triste pensar que alguém teve coragem de abandonar os meus filhos.”
O primeiro ano para a nova família Barbosa foi o mais difícil. As crianças chegaram com piolhos e micose. A mais jovem só queria comer salsicha e bolacha de água e sal. No final do primeiro ano, Felipe mal sabia escrever seu nome. Agora, eles já comem brócolis e couve-flor e o menino já leu seu primeiro livro sozinho: “Capitão Cueca”. “Eles chegaram com sentimento de autopiedade, mas agora já aprenderam que são é sortudos”, disse a mãe.
Desde 2004, quando o Tribunal de Justiça começou a coletar e a organizar as informações sobre adoção no Estado, o perfil dos candidatos a pais adotivos pouco mudou. Em 2006, 50% deles tinham entre 31 e 40 anos, 44% cursaram ensino superior, 66% não tinham filhos e 85% são casais.
Se não fosse solteiro, o jornalista Christian Heinlikl, 35, estaria perfeitamente dentro desse perfil. Ele conseguiu a autorização para entrar na fila de adoção em abril deste ano. Em poucos dias, recebeu por e-mail uma lista com o nome das crianças disponíveis e a idade, entre eles, Vinícius, de 8 anos. “Bati os olhos e tive a certeza de que era o meu filho. Esperei oito anos para encontrá-lo.”
Heinlikl sempre quis ser pai. A decisão de adotar uma criança mais velha veio dos encontros num grupo de apoio que começou a freqüentar. “Eu tinha uma série de fantasias que não eram o meu desejo”, disse. Foi quando ele percebeu que não queria um bebê, mas uma criança com quem pudesse conversar. “Eu não troco fraldas do meu filho, tá doendo ele me explica o que é. A gente conversa, ri, chora. É uma delícia.”
Outro aspecto da adoção tardia que fascina Heinlikl é o direito de escolha da criança. O pai novato lembra bem o dia em que Vinícius fez a dele. Uns meses depois da chegada, o menino aprontou e levou uma bronca. A resposta veio de pronto: “Você não é meu pai. Quero voltar pro abrigo.” Com segurança, Heinlikl retrucou: “Se é sua vontade, vou levar você de volta. Mas fique sabendo que sou seu pai pra sempre.” No dia seguinte, o jornalista ligou para o abrigo e passou o telefone para Vinícius conversar com a assistente social. Rapidinho ele desfez o nó: “Tia, eu fiz pirraça pro meu pai, disse que ia embora, mas não vou porque aqui é minha casa. Tchau.”

Com exceção de Heinlikl, os pais pediram para que as crianças não fossem identificadas, temendo problemas com a famílias biológicas.



O pai adotivo
Fabiano Fachini *

Vai ser inesquecível. Foi muito lindo. Eu tinha marcado que ia buscá-la numa sexta-feira, às 17h. Então, pedi pra minha colega de trabalho, que é a madrinha da bebê, pra ela me levar com o carro, porque eu queria vir pra casa com ela nos braços. Não comigo dirigindo! Queria apresentar o novo mundo pra ela dos meus braços. Aí nós fomos. Era uma tarde fresca, de março, e tinha chovido uma chuva fresca, tranquila, gostosa. E, ao descer do carro, na frente do abrigo, tinha um arco-íris lindo. Muito colorido, muito vivo. Eu nunca vou esquecer! Foi muito simbólico, muito marcante. Uma nova aliança, a nossa aliança. E aí eu entrei. Já tinha combinado que eu queria aprender a dar banho. Aí a monitora lá do abrigo me deixou dar banho. Foi me orientando, me conduzindo... A gente sua um pouco frio, a neném é muito pequena. Você toma cuidado de não machucar, de não escorregar, de ser agradável o toque. A monitora chegou a me dar uma nota nove.

O pai de primeira viagem Gilberto Semensato toma no colo a filha. Aconchega entre os brancos braços um bebê de quatro meses. Frágil. Dependente. De olhos negros, como pérola. De cabelo crespo e pele morena jambo. Do abrigo, segue para casa, onde uma recepção calorosa aguarda pela nova integrante da família: Ana Luiza Coldibelli Semensato. Coldibelli por parte materna da família do pai e Semensato pela parte paterna, também da família do pai. Em casa, a família recebe a nova integrante. Entre amigos e amigas, estão também a vovó, dona Maria e a babá, tia Antônia.

Gilberto é pai solteiro adotivo. Enfrentou as dificuldades da lei e aceitou a missão da paternidade. Uma vocação que reflete o trabalho e a personalidade de um homem solidário. Aos 43 anos, os desafios da paternidade batem à porta da vida de Gil, como a mãe de 84 anos o chama. A menina, de quatro meses, chega para fazer parte de uma nova família: pai, filha e avó.

“Sempre foi um gosto meio natural. Então, com um pouco mais de maturidade, de estabilidade de vida, eu falei: ‘olha, acho que está na hora de eu pensar na continuidade, numa posteridade. Está na hora de eu me dedicar a uma criança que eu possa educar’.” Assim, o desejo acalentado por longos anos vai tornando-se realidade. Em 2004 deu início ao processo. Após preencher os papéis e passar pelas entrevistas com psicóloga e assistente social, Gil formalizou o pedido de adoção. Em 2006 o juiz deferiu a inscrição e em 2008 chegou Ana Luiza.

Um dia, assim de supetão, conta Gil, recebeu um telefonema do fórum da Vara da infância e Juventude. “Me convidaram para ir conhecer uma menininha de quatro meses, sua história... Aí eu fui. A menina já me recebeu dando uma risadinha, uma gargalhadinha. Veio pros meus braços assim tranquila, feliz. Enquanto eu conversava com a assistente social ela acabou cochilando. Achei que foi um encontro gostoso.” E assim começou a história de amor de um pai que ainda busca compreender o sentido da paternidade, e a transformação que o fato de ser pai trouxe à sua vida.

O segundo passo foi levar a mãe, dona Maria, para conhecer a neta. Gil considerava importante compartilhar esse momento, pois a mãe mora com ele e a menina passaria a fazer parte da vida dos dois. O futuro papai viu a nenê tocar de leve o rosto da avó e conquistar o carinho da mesma. “Com a sinceridade que ela olhava a gente, com aquele olhar puro que ela tem, como não se apaixonar por uma coisinha linda dessas?”, conta com lágrimas nos olhos a vovó coruja.

Os planos mudaram. Gil esperava um menino de até quatro anos. Acreditava que seria mais fácil cuidar de um menino, além do mais, as possibilidades poderiam agilizar o processo de adoção. Mas ele não descartou outras possibilidades, tanto que aceitou os dois dias de prazo que a assistente social lhe deu para retirar a menina do abrigo.

Correu para casa. Os preparativos começaram. “Foi uma correria arrumar berço, roupa... ainda que alguns amigos ajudaram com isso. Foi uma reviravolta! Não tive muito tempo de cultivar uma ideia, uma ideia real do que estava acontecendo.

”O futuro papai empenhava todas as forças na preparação da nova visita que se tornaria para uma vida inteira. Além disso, estava sensibilizado, também, com a história que ouviu: a nenê havia sido rejeitada por dois casais, que, nas palavras de Gil, “não a sentiram como filha”.

Tudo foi dando certo. Homem de muita espiritualidade, falou a Deus em uma conversa muito pessoal: “Eu vou fazer toda a parte material que me cabe. Vou fazer a documentação, me sujeitar aos trâmites burocráticos... e se for vontade de Deus, se for uma missão, se for da vontade Superior... então as coisas vão fluir para que deem certo. E, se não for, então, morre aí, na consciência de ter feito o que eu podia”.

Ana Luiza chegou a sua nova casa acolhida de braços abertos pela família, pai, avó, babá, madrinha e amigos.


Nem tudo na adoção é cor de rosa

A adaptação da família vai ocorrendo aos poucos. A babá ajuda meio período todos os dias durante a semana. No entanto, nas manhãs, noites, nos feriados e nos fins-de-semana as responsabilidades recaem sobre os ombros do pai. A vovó ajuda, mas dentro dos limites da idade.

De olhos para o alto, o pai fala calmamente, como se avaliasse uma parte do percurso da adoção. “Sabe, eu acho que assim... essa luta da adoção, da adaptação, ela não é nenhum pouco cor-de-rosa. Ela é muito difícil. A realidade não é simplesmente aquele idealismo da adoção. O primeiro dentinho... Tem isso também, mas tem o lado muito real que é o da dor do rompimento do primeiro dente, é o choro, sabe? É uma adaptação também ao processo de realidade. É uma transformação.”

- Deve ser difícil... – digo durante nosso bate-papo na sala da casa de Gil.

- É difícil sim...

- Tinha que se virar.

- Tinha, tinha mesmo.

- Pensou em desistir?

- Na verdade, desistir não passava na minha ideia, mas passava, assim, a consciência do peso dessa responsabilidade, sabe? É aquela adequação entre o romantismo e o realismo. E teve momentos que eu fiquei, também, em estado desesperador. E eu pensava: meu Deus, será que ela não está me escolhendo? Que ela que não tá querendo ficar aqui... Mas, graças a Deus, tudo passa. E esse ditado eu tenho ele agora na minha vida. E as coisas ruins também não permanecem, e a gente procura ficar com o que foi bom, com as coisas boas.

- Há quanto tempo está com ela?

- É... há um ano e quatro meses.

Enquanto conversamos, Gil aconchega-se no sofá colorido. No colo, a gata Tchuca, que passou a se chamar “Cuca” depois da chegada de Aninha na casa. O homem de 43 anos, 85 kg e de aparência grande, que parece desmentir as medidas de 1,75, é tranquilo. Os ombros são largos, devido à antiga prática da natação. Uma saliência na barriga, rosto redondo, de pescoço largo e olhos baixos. Tem aparência apaziguadora e assume uma postura introspectiva, mas disposto a contar, quando a conversa chega a um ponto em que os olhos ficam embaçados e a voz embargada. O motivo: Ana Luiza estava doente.


Foi meu parto simbólico

Havia dez dias que Ana Luiza estava na casa, fazendo parte da família. E os dez dias seguintes foram de provação. Para todos, especialmente para Gil. Ana passou a apresentar dificuldades respiratórias e, levada ao hospital, teve o diagnóstico de bronquiolite.

A doença é comum nas crianças, especialmente entre os menores de seis meses. Os sintomas deixaram de alerta o pai: febre, dificuldade para respirar, incluindo o chiado no peito; dor de ouvido e o batimento de asas do nariz, que é o movimento das narinas (abrindo e fechando) que ocorre em situações de dificuldade respiratória na criança pequena.

Para o pai de primeira viagem, foram dias difíceis. Pela primeira vez passaria mais que alguns minutos no hospital. Até o momento, nunca havia sido internado. Agora, com Ana, ficaria dez dias no ambiente hospitalar, onde antes apenas passara para fazer procedimentos ambulatoriais. E, para surpresa, a mãe desenvolveu um sério quadro asmático. Ficou três dias internada, também. “Se não fosse trágico, seria cômico. Minha mãe ficou internada em um quarto, passava outro quarto já era a ala de pediatria, onde eu estava com a neném. A neném dormia e eu saia de lá para ver a mãe. Fazia esse trânsito de um quarto para outro”, conta Gil.

Olhando as fotos, Gil havia trazido uns 15 álbuns para mostrar ao repórter enquanto conversávamos, o semblante muda conforme passam as páginas do álbum. De repente, as lembranças vêm à tona, parecem ferir o coração do pai. Uma foto de Ana deitada na caminha de bebê do Hospital Celso Pierro da PUC Campinas, em lençóis brancos, com a máscara de oxigênio e soro no braço mudam o tom da conversa.

- Difícil ver ela assim? - Pergunto sem fixar os olhos em Gil.

- Nossa, demais. Porque, é assim: eu recebi um presente para tomar conta. E Ele (Deus) vai me pedir conta desse presente. Então, ver assim, ver dodói, é muito triste.

Longe do trabalho e de casa, Gil cuidava da menina. Dedicação integral ao presente que transformava sua vida minuto a minuto. Ver a menina deitada sob cuidados médicos, apertava o coração. Doía. Foi, nas palavras de Gil, “meu parto simbólico”.


O quadro mais triste da minha vida

Dona Maria, a vovó mineira, é apaixonada pela neta. Uma senhora que depois de quase oito décadas e meia de vida, vive com sorriso no rosto e disposição para correr na sala, se precisar, com a netinha. No entanto, guarda entre lágrimas um dos momentos mais difíceis e tristes de sua vida. No rosto marcado pela idade, uma lágrima desliza queimando a pele e cicatrizando o coração, enquanto suspira ao contar:

“Um dia eu chorei tanto com ela. Eu tava vendo televisão, umas oito da noite, e a neném só chorava. Daqui a pouco, eu num ouvi mais nada. Aí fui lá no quintal e encontrei o quadro mais triste que eu vi na minha vida: a neném debruçada no ombro dele soluçando, e ele soluçando em cima dela. Eu fiquei sem saber o que fazer com aquele quadro. Nem em pintura era tão triste”.

Emocionada, dona Maria lembra os dias que se seguiram após a também difícil internação de Ana Luiza. A menina chorava sem parar. Um choro compulsivo e a dificuldade de dormir que se seguiram por aproximadamente três ou quatro meses.

O pai estava desesperado, não sabia mais o que fazer. Cólicas? Não. Ela já não estava mais na idade de ter cólicas. Médico? Não adiantava, nem mesmo os remédios ajudavam. O choro persistia entre 8h e 10h da noite. Ana chegava a perder o fôlego de tanto chorar. O pai, muitas vezes, chorava junto. O sono, já não era tranquilo, mas intercalado com os soluços de Ana e com o medo de deixá-la sozinha.

O pai estava esgotado. As forças eram poucas. A emoção estava abalada e as alternativas esgotando-se. Para Gil, uma luz após as orações da mãe ajudaram: conversar. Essa era a última das alternativas de Gil para consolar o desespero de Ana. Então, mesmo com ela chorando, o pai conversava baixinho, com voz segura, firme e amorosa. “E com ela chorando, mesmo chorando, eu conversava baixinho dizendo que eu amava ela, que ela tava num outro momento de vida, que se ela tinha alguma outra lembrança de vida de dor de algum outro momento que ela já passou, do trauma de nascimento, de gravidez, de tudo, pra ela perdoar, esquecer, superar... que foi o caminho que o Papai do céu encontrou pra ela se encontrar comigo. Pra ela ter uma nova família, ser aceita e ser feliz. E... com isso ela foi se acalmando até que realmente parou e não apresentou mais esse tipo de problema. Foi uma solução muito encantadora... então depois disso a coisa foi entrando mais na rotina”.

O momento vivido pela família é guardado nas lembranças, e serve como motivação de uma vida melhor e como explicação para o momento de transição de vida. Agora, mais do que nunca uma família. Ana Luiza havia acolhido, de coração, a nova família que a recebeu de corpo, alma e coração.

Para a vovó, a menina precisava se desprender das lembranças do passado. E quem ajudou foi a oração, e não os remédios. Esse choro era reflexo das lembranças do apego à mãe biológica, “uma inocente, tadinha, que ficou abandonada pelo mundo e que a gente perdoa de coração”.


Antes tarde do que nunca

Licença Maternidade, concedida às mães biológicas. Consenso legal de 120 dias, agora extensível por mais 60 dias.

Licença Adotante, concedida às mulheres que adotam. Raríssimas são as exceções a homens dadas por empresas, devido a acordos coletivos. O período da licença depende da idade da criança.

Licença Paternidade, concedida a pais biológicos. Aproximadamente cinco dias úteis.

Já no serviço público federal, a Licença Adotante é concedida apenas para mulheres. Varia de um a três meses, dependendo da idade da criança.

Gil é assistente social há 15 anos no serviço público federal. Ao adotar Ana Luiza e procurar onde seu caso estaria enquadrado nas licenças, uma surpresa: homens não eram atendidos pela lei vigente (Lei 8112/90 art. 210).

Convicto de que a licença era um direito, necessário para a adaptação com a menina e para organizar a nova vida que teria a partir da adoção, Gil entra num processo de luta pelos seus direitos. Considera um vácuo discriminatório, na lei, do ponto de vista de não conceder a homens esse direito.

“A adoção tem um caráter diferencial que é a exigência dessa adaptação com a criança que veio com uma história de gravidez, nascimento e abrigo, normalmente traumática. Tanto o homem quanto a mulher deviam participar dessa adaptação da adoção. E não só a mulher, tendo que o homem ficar trabalhando. Foi por esse princípio que eu batalhei. Não é um luxo. Não é um artifício para não trabalhar. Não é privilégio, é pura necessidade. Quem tem criança sabe o trabalho que dá. E uma criança adotada, normalmente requer um diferencial. Então, não dá pra pensar que eu vou conciliar nos primeiros tempos, é claro, a adoção e o trabalho, principalmente se for sozinho. Como eu. É inconcebível.”

Após um ano de lutas na justiça, Gilberto conseguiu o direito a “licença adotante”, concedida, antes, apenas para as mães no serviço público federal. Um período de luta em que o pai jamais desacreditou na legitimidade da sua causa. E, deixou, também, seu nome na história, sendo o primeiro caso brasileiro de um servidor público federal a conquistar o direito à licença adotante como pai solteiro.

Com os 90 dias conquistados para ficar ao lado da filha, Gilberto comemora também a Resolução 60/2009, publicada pelo presidente do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), ministro Milton de Moura Franco, que torna a decisão uma normativa. Ou seja, abre precedentes para outros casos, tanto no serviço publico como no sistema CLT (celetista).

Nas palavras de Gil, nota-se o alívio em relação ao seu caso, e a alegria de contribuir com outras pessoas. “Então, do que valeu toda essa luta? Não foi apenas uma vitória pessoal. Ela teve uma amplitude social de abrir fronteiras, para primeiro corrigir uma distorção da lei; segundo, de facilitar que o mercado de trabalho concedesse esse tempo também para os homens; e, terceiro, também para estimular a adoção. Agora um homem, ao menos no serviço público federal, que sabe que tem esse direito, ele pode viabilizar mais o seu desejo, pois tenho certeza que muitos homens têm esse desejo, mas, a primeira coisa que vem é: eu não vou poder sair do trabalho pra cuidar dessa criança. Então não adota. Então agora sabendo que tem, ao menos viabiliza o desejo. E tenho certeza que logo isso vai sair da esfera normativa da justiça do trabalho e vai ser reconhecida como lei pra todos os casos”.

Gil passou a usufruir o direito em 15 de junho de 2009. A luta, no entanto, começou ainda em março de 2008. Assim que Ana se integrou à família, ele fez o pedido ao Tribunal Regional de Trabalho (TRT) da 15º Região, em Campinas (SP).

O presidente do TRT da época, juiz desembargador Luiz Carlos Araújo, negou administrativamente a licença no primeiro pedido. Na ocasião, Gilberto recorreu ao Tribunal Pleno, que acolheu o pedido com 15 votos favoráveis e quatro contrários em junho. Quão grande foi a surpresa de Gilberto quando o então presidente recorreu ao CSJT e pediu efeito suspensivo até que o recurso fosse decidido. O que ocorreu favoravelmente, por unanimidade de votos, quase um ano depois em Brasília.

“Mas antes tarde do que nunca. E ao menos é um direito compensatório. Uma vitória apaziguadora”, comenta Gil, ao lembrar-se das dificuldades enfrentadas nos primeiros tempos da adoção, sem amparo da licença adotante. Na época, Gil contava com duas férias atrasadas e a licença saúde, nos dias em que Ana esteve hospitalizada.

“E se eu não tivesse esse direito a férias?”, questiona Gil ao se lembrar de que, no serviço público, 30 dias afastado do trabalho significa processo administrativo e perda do emprego. Hoje, mais tranquilo, Gil aproveita a nova rotina ao lado da filha, com tempo para aproveitar a nova fase que Ana Luiza está vivendo, agora com um ano e quatro meses e a busca pela dependência nas pequenas atividades.


O doce mais doce é o doce de batata doce

Gil deita a menina no trocador de fraldas. Retira, com cuidado, a fralda da nenê. Solta as tiras adesivas que prendem os dois lados da fralda. Em seguida, levanta a parte da frente da fralda, sem mover Ana da posição. Segurando as perninhas da menina, utiliza o lenço umedecido para limpar o corpo dela. Fecha a fralda suja. Seca a pele. Coloca a fralda nova. Veste a roupa e Ana está pronta para o sono.

Parece simples. Mas, tudo aconteceu entre um pouco de choro de esperneio e brincadeiras.

- Quem fez cocô fedido?

- Olha, vou chamar a tia Antônia, heim!

- Você ficou com a caneta do titio Fabiano?

- Que cores tem a caneta?

- Roxio, papai.

- Tem roxo, Ana?

- E azul, tem?

- A Ana quer uma caneta assim também?

Entre palavras, brincadeiras e mãos delicadas, como precisam ser para a higiene da menina, o pai termina de trocar as fraldas. Ela, agitada, se acalma, e começa a rir com as caretas do pai.

Gil toma no colo a filha, e, para vestir a calça sobre a fralda, mais uma brincadeira: “olha o saco de batatas”. E joga a menina nos ombros. Pronto. Ana está vestida e dando gargalhadas.

“Vamos nanar?”, convida o pai. A filha já entende o recado e começa a chorar. Quer continuar brincando. Mas, logo o primeiro choro para. Dois minutos e o sono vem. Ana está no cochilo da tarde.

A rotina do pai Gil mudou depois de conseguir a licença adotante. Agora, em casa, aproveita para curtir todos os minutos ao lado de Ana. Logo de manhã, acorda a filha, prepara a mamadeira da manhã e leva para escolinha.

À tarde, por volta do meio dia e meio, busca Ana no berçário. Também o acompanho até o berçário. De carro, não mais que 5 minutos até o local. No portão, Gil aguarda de braços cruzados. Lá de longe, um grito alegre encanta o pai que se desfaz em sorrisos: “papai”.

A filha chega e o pai a toma nos braços. Enche de beijos. E a conversa não para. O pai quer saber tudo, se a filha comeu; se brincou; com quem brincou; se ouviu histórias; que histórias; se os coleguinhas vieram; quem faltou; da professora...

Entre a desconfiança e a curiosidade, ao ver o repórter no carro, Ana Luiza responde tudo para o pai. Ameaça o choro, mas o carinho e as palavras do pai a consolam.

Em casa, Ana é recebida com beijos da avó e da babá. Corre para os brinquedos. Um quarto cheio de bonecas. Todas colocadas em prateleiras que tomam três paredes, do chão ao teto. Incontáveis. No chão, um baú cheio de brinquedos e tantos outros pelo chão. Todos organizados. Nada de bagunça. No fim da brincadeira, Ana guarda os brinquedos. O pai brinca com ela e já sabe as dezenas de nomes das bonecas da filha: Zé belinha, a Didi, a Lili, a Sofia, a Thais, a Maricota... “Ela dá os nomes, e o papai acompanha ela nas brincadeiras”, comenta sorrindo o pai enquanto enche as mãos das bonecas entregues a ele pela filha.

Do quarto de brinquedos, para o quarto de “nanar”. O “mundo de Ana”, ousaria dizer. A pequena transformou o quarto em um grande brinquedo. Os pequenos móveis servem de trampolim ou esconderijo; entra embaixo do criado-mudo e gira de um lado para outro; depois, encontra um lugar para escorregar.

Agora, do grande brinquedo de Ana para o quarto do pai. De imediato, Ana corre para cima da cama. Encontra a gata Cuca e brinca. Desce da cama e ao som de músicas infantis começa a dançar. Tímida, recorre ao colo do pai, que entra na brincadeira e começa a dançar pelo quarto com a filha.

No rádio, ouve-se: "Qual o doce mais doce?" Depois, “a barata diz que tem sete saias de filó, é mentira, ela tem é uma só”. Ainda, tocam: “a canoa virou, por deixar ela virar, foi por causa...” ... “como pode um peixe vivo viver fora d’água fria...” ... “Alô, o Tatu ta aí? Não, o Tatu num tá. Mas a mulher do Tatu tando, é a mesma coisa que o Tatu ta.”

Ana joga o cabelo de um lado para o outro. Os cachinhos se perdem ao vento, levados pelas alegres e encantadoras gargalhadas da menina. O pai volta a ser criança. Perde-se nos passos e nos braços da filha.

- Tia Tônia. Pede a menina no fim de mais uma música.

Para o quintal, o pai leva a filha. Junto da babá, brincam feito crianças livres. No colo do pai, montados numa vassoura, saem a correr pelo quintal. A voar. Alcançam os mais altos sonhos e viajam pelos horizontes da liberdade. Livres no próprio mundo, onde só há espaço para o amor, para a liberdade, para a alegria. Para, de verdade, serem pai e filha. Longe dos olhares, da curiosidade, da burocracia... mas perto do amor. Olhos brilham, coração pulsa forte e os corpos exalam alegria. Dá vontade de montar em uma vassoura também e sair correndo pelo quintal, tentando alçar um desses vôos também.

- Agora acho que ela tá com soninho. Comenta titia Antônia.

O pai, com a filha no colo, corre para a cozinha brincando. Prepara a mamadeira, e canta uma das canções preferidas dos dois:

- Qual é o doce mais doce, que o doce de batata doce?

- A pepeta papai. A pepeta.

Para Ana, que adaptou a música para a sua realidade, o “doce mais doce, é a pepeta (chupeta)”.

No sofá, o pai aconchega a filha nos braços. Protetor. Uma muralha de força a defender a sua maior riqueza, mas macia e aconchegante para a filha adormecer. Ela se encaixa entre os braços do pai. Movimenta-se. Aconchega uma perna, depois a outra. Conforta um braço, e depois o outro. Começa a tomar o “tetê” e vai adormecendo aos poucos.

A rotina do pai está pela metade. Agora, leva Ana para o quarto. Troca as fraldas e a põe dormir. Mais tarde, lá pelas 16h, Ana levanta para o lanche da tarde. Depois o banho, as brincadeiras, e, as 21h30, é hora de ir pra caminha.

“Graças a Deus, um sono tranquilo. Agora ela dorme e eu também. Mas o meu sono é leve. Qualquer barulhinho eu tô de pé ao lado dela”, conta o papai.


Não que eu seja vanguarda nisso

Pai, mãe e filhos do primeiro casamento. Apenas do primeiro, nada de separação. A forma tradicional de família já está superada, acredita Gil. “A sociedade mudou. As pessoas mudam. As relações entre as pessoas mudaram. As configurações familiares, os novos núcleos de familiares são estruturados de outra maneira”.

Gil é pai adotivo solteiro. A família de dois, sem a figura da mãe, vai muito bem, obrigado. A realidade, completa o pai, é muito diferente do que as pessoas pensam. “Tantos filhos de pais divorciados; pais viúvos; morando com os avôs. É outro mundo. A questão não é tanto o modelo de família, mas o que torna significativo é o modelo de educação dentro dessa família”.

Buscar o equilíbrio entre o “sim” e o “não” na educação. Saber transmitir os valores, os princípios e as expressões de afeto. “Isso sim é importante. Você vê tanta família certinha, com pai, mãe, filhos... mas o modelo de educação está totalmente inverso, contraditório”, critica o pai.

As dificuldades surgiram aos poucos. Sutis, algumas vezes. Ou em forma de conselhos. “Você vai pegar sarna pra se coçar? Algumas pessoas chegaram a usar essa expressão!”, conta indignado o pai, que viu colegas questionarem de forma preconceituosa sua decisão, tendo em vista que ele era um homem solteiro, independente, com estabilidade na vida e no trabalho. Mas, para Gil, esse foi um projeto de vida, muito bem planejado. E, para aqueles que diziam ser “apenas fogo de palha”, Gil não discutiu, e, quando estava com a menina nos braços, estes, tiveram que aceitar a realidade.

Apesar dos comentários, Gil nunca deu ouvido. Aprendeu, como na simples história que fez questão em contar ao repórter: “sabe aquela história do burro e do avô? O avô sai para passear com o menino e coloca ele em cima do burro. Passam numa vila e as pessoas dizem: ‘que menino injusto, o vovô é que devia estar em cima do burro. O menino jovem, podia caminhar’. Então o avô desce o menino e sobe ele mesmo no burro. Já na outra aldeia, os comentários continuam: ‘olha que avô! Por que deixa o pobre menino ir andando?’ O avô então coloca o menino na garupa e ambos seguem montados e, surpresa. Na outra vila, criticam os dois, por estarem com todo aquele peso sobre o coitado do burrinho. Descem e passam a caminhar puxando o burro. Até que encontram outras pessoas que chamam os dois de ‘burros’, pois como podem caminhar enquanto tem um burro para levá-los?”.

Moral da história, como diz Gil. “Se você der ouvido a tudo que os outros falam, você não segue em paz sua trajetória”. E Gil seguiu a dele, ao lado da filha e de uma rede de amigos que se solidarizam com a história e a força de vontade da nova família. Pai, filha e avó.


Ainda me encanto com o mistério de ser pai

Entregue à filha. É assim que está o papai Gil. Ela move seus dias, sua vida, seus sonhos. Quando adotou, Gil se apaixonou pela beleza humana que encontrou em Ana Luiza. Não foi compaixão, mas paixão. Um sentimento belo e dignificante, pois Gil soube ver a beleza do humano que vive em Ana. Não adotou por dó, por compaixão de ver aquela menina abandonada em um abrigo. O sentimento que moveu sua ação foi maior, muito maior que o simples “ter pena”. Uma atitude digna de um dos grandes pais, São José, também adotivo. O adotivo pai de Jesus. Pai que acolheu, também, pela beleza que soube reconhecer no filho, e não por pena a Maria ou ao Filho desconhecido.

Gil transforma-se a cada dia, a cada sorriso, a cada suspiro da filha. “É gratificante. Eu acho que quem não tem esse papel de pai, de mãe, realmente não tem a dimensão desse papel. É um pouco inexplicável. Eu ainda me encanto com esse mistério de ser pai. De aprender a ser pai. Mas eu acho que é transformador. Principalmente pra quem tem esse tipo de vínculo tão direto, tão próximo! Às vezes o pai que só gerou e não participa, talvez não sinta tanto esse mistério, esse aprendizado. Esse engajamento. Esses desafios. Mas quem está assim participante, acaba tendo essa gratificação, esse diferencial. É extremamente compensador, sublimatório cada vez que ela fala ‘papai’”.

Enquanto conversamos, entre o caminho da sala à cozinha, Gil põe a mão no bolso e fala:

- Olha no bolso o que a gente tem! Uma presilhinha de cabelo da Ana. É assim...

- Está tomando conta.

- Está. Ela é o xodozinho da gente aqui. Mas nem por isso fazemos todas as vontades.

- E a personalidade dessa menina que conquista o pai e a avó?

- Ela é opiniosa. É forte. Eu acho que ela vai ter, assim, um sentido de autonomia muito grande. Eu to preparando ela pro mundo, e não pra mim.

- Para o mundo? E já pensou no futuro?

- Já! Claro. Eu e minha mãe já se pegamos aqui pensando: ela vai ser médica, vai ser pediatra. Não! Vai ser juíza. Olha, até combina, Senhora Doutora Juíza, Ana Luiza. A gente fica brincando. Ou bailarina, que ela gosta de dançar. Mas isso é brincadeira da gente, ela é que vai escolher o caminho dela em termos de carreira, profissão. De repente, assim: ‘alô! Ai papai, estou aqui em Nova York, Itália’, sei lá... ‘eu estou aqui estudando. Está tudo bem aí?’

- Tem que sonhar!

- Claro. Você não tem o controle do futuro, então, deixa rolar. Deixa o time jogar.

* Jornalista e pós-graduando em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário (www.abjl.org.br), turma São Paulo 2009. Produtor e repórter do programa de TV Biosfera.

* Natal todo dia *



É o primeiro Natal do GAALA!!!! Precisamos agradecer nosso encontro abençoado e desejar que Papai do Céu atenda o pedido de cada coração.

Que todos sejam felizes...

FELIZ NATAL!!!!

Último encontro de 2010 !!!!









Nosso próximo encontro será dia 16/12 às 20:00hs no Colégio COC Novomundo.

Será um papo do que foi bom em 2010 e do que será melhor ainda em 2011.

Não esqueçam que teremos um lanche especial e um amigo secreto de chocolate bem divertido.

Tragam seus filhos pois haverá uma surpresa para eles.

Esperamos vocês !!!!!

ADOÇÃO HIV, UMA POSSIBILIDADE DE AMOR/TRANSMISSÃO VERTICAL PODE SER EVITADA...




Promotora estima que menos de 1%das crianças e adolescentes soropositivos consigam um novo lar


O medo de perder um filho em pouco tempo ou os cuidados e medicamentos necessários aos soropositivos faz com que muitas pessoas ignorem a possibilidade da adoção de uma criança portadora do vírus HIV. Esse medo, porém, impede a vivência de uma bela lição de vida, como definem os pais que deixaram de lado o preconceito.
Não existe um registro exato sobre os números de adoções de crianças e adolescentes com HIV. Os poucos casos são lembrados com alegria por profissionais dos abrigos onde moram os jovens. A promotora de Justiça da 2ª Vara da Infância e Juventude - Adoção, Marilia Vieira Frederico Abdo, arrisca a estimativa de menos de 1% de crianças e adolescentes soropositivos adotados. "Elas não têm chance", lamenta. A promotora conta que, nos cadastros de pais candidatos à adoção, a opção "criança com HIV" sempre é descartada.
Órfãos da Aids ou abandonados pela família biológica ainda recém-nascidos, crianças e adolescentes com HIV crescem em abrigos que dispõem de estrutura necessária para atender ao público. A criação de espaços específicos para os soropositivos não se justifica pelo preconceito ou a preocupação em deixá-los com outras crianças, mas pela infraestrutura -medicamentos, equipe técnica preparada e outros- que oferecem.
Em Curitiba, duas instituições abrigam 50 crianças e adolescentes, que vivem em uma grande família. São elas a Associação Paranaense Alegria de Viver (Apav) e a Associação Curitibana dos Órfãos da Aids (Acoa). "Não os preparamos para a adoção. Proporcionamos uma vida com qualidade, saúde. A adoção é consequência", afirma a coordenadora da Apav, Maria Rita Teixeira. Nos dois abrigos foram contabilizadas, nos últimos 15 anos, pouco mais de 30 adoções.


Lição de vida


A adoção de crianças com HIV segue no caminho contrário ao das outras. Enquanto os pais interessados em adotar se dirigem à vara específica e são apresentados a meninos ou meninas com o perfil que escolhem, a adoção de soropositivos é fruto de uma paixão entre atuantes da área e as crianças.
"Os pais que adotam (crianças com HIV) são pessoas extremamente especiais. Eu digo que quem adota é acima da média, que não vai achar dificuldade em nada, não vê obstáculos", afirma a promotora Marilia. Ela ainda complementa que, diferente do que esperam aqueles que rejeitam a adoção de crianças com HIV, a oportunidade de ter uma família contribui para o bem estar dos jovens. "A carga viral (quantidade do vírus HIV no organismo) baixa drasticamente quando a criança vai para uma família", comemora. "Ela vive muito bem. Só desenvolve a Aids se tem baixa imunidade. São saudáveis, independente do HIV", complementa Maria Rita, da Apav.
A coordenadora da Apav acompanha de perto a melhora que uma família traz às crianças soropositivas. Ela, que considera as mais de 100 crianças já atendidas pela organização como sua família, adotou há dez anos um filho soropositivo, experiência que considera uma "lição de vida". "A adoção nos ensinou a viver, a enfrentar as dificuldades, não ter medo do futuro. O ser humano é muito egoísta, quer satisfazer a vontade de exercer a paternidade, não está preparado para sofrer. Muitos deixam de ser feliz com medo no futuro", afirma.


Transmissão vertical pode ser evitada


Curitiba - Entre cada 100 gestantes com HIV que não fazem tratamento durante a gestação, 30 crianças nascem infectadas pelo vírus, o que caracteriza a transmissão vertical. As chances do vírus da mãe passar para o bebê caem para até 2% quando é realizado o acompanhamento durante o pré-natal.
A transmissão vertical pode ocorrer em três momentos: durante a gestação, na hora do parto ou na amamentação. A maior incidência é referente ao momento do parto, 60 a 70% dos casos. O HIV passa de mãe para filho por meio do sangue e secreções da membrana que protege o feto, rompida nas contrações do parto normal. Em menor índice, a transmissão ocorre no oitavo mês de gestação. Além disso, as mães soropositivas não podem amamentar seus filhos, pois o vírus HIV também é passado aos bebês pelo leite materno.
A transmissão vertical só é comprovada quatro meses após o nascimento da criança. O teste que identifica o HIV é realizado no primeiro mês de vida e repetido após três meses, quando a criança desenvolve sua própria imunidade. Se o resultado for negativo no segundo teste, a criança não foi infectada. Caso o resultado seja positivo nas duas dosagens, a criança possui o vírus HIV.
Iniciativa curitibana
A estrutura de atendimento de gestantes com HIV faz de Curitiba uma pioneira e um exemplo no combate à transmissão vertical. Todas as unidades básicas de saúde da cidade disponibilizam o teste diagnóstico do HIV, também a todas as gestantes atendidas pelo Programa Mãe Curitibana. Durante o pré-natal, elas são acompanhadas e recebem medicamentos para dimunir a carga viral.
De acordo com o coordenador do programa, Edvin Javier Boza Jimenez, os índices de transmissão vertical entre as mães atendidas pelo programa são altos em gestantes usuárias de drogas, prostitutas e moradoras de rua, que não dão continuidade ao tratamento.
As adolescentes também são um público que preocupam a equipe do programa. Muitas delas não se aceitam como soropositivas, começam tardiamente o acompanhamento ou ainda descobrem o HIV durante a gestação, por isso, também abandonam o pré-natal e colocam em risco o combate à transmissão vertical. (C.G.B.)


'Cada um tem uma missão'


Curitiba - Para o adolescente Oliver (nome fictício), ser soropositivo não representa um problema em sua vida. Aos 17 anos, o jovem diz ter chegado à conclusão de que o convívio com o HIV é um sinal. "Já pensei que não precisava ter o vírus, não foi minha culpa, não abusei de nada. Cada um tem uma missão, se tenho HIV é que tenho que fazer alguma coisa", analisa.
Ele nasceu com o vírus, passado de sua mãe pela transmissão vertical. A descoberta aconteceu apenas aos 6 anos de idade, quando a mãe, que não sabia de sua sorologia e, por isso não fez acompanhamento específico para evitar a transmissão vertical, passou mal. Um teste verificou a presença do HIV em Oliver e em seu irmão mais novo, que hoje tem 15 anos.
De personalidade tranquila, Oliver está no último ano do ensino médio e faz um curso técnico em informática. No final do ano, presta vestibular para artes cênicas, para realizar o sonho de ser ator. Além dos compromissos com os estudos, o adolescente também se dedica à organização onde vive desde os 9 anos, a Associação Paranaense Alegreia de Viver (Apav). "Moro aqui, tenho de tudo e posso fazer algo para compensar isso."
O jovem mantém contato com a família, principalmente com a avó, com quem morou até os 6 anos. Mesmo sem a possibilidade de ser adotado, ele acredita que o receio dos pais em relação às crianças soropositivas é resultado da desinformação. "Não que a pessoa seja ignorante, mas não tem conhecimento sobre o assunto e fica com medo de adotar, até medo de pegar na criança. Isso não acontece, é só ter cuidado", explica. Para ele, a adoção é uma opção para ter filhos no futuro, além dos biológicos. Inclusive a adoção de crianças com HIV. "Você adotaria uma criança soropositiva", pergunto. "Com certeza", responde Oliver com brilho nos olhos. (C.G.B.)


Livro mostra dificuldades


Curitiba - No livro "Adoção PositHIVa - Adoção de crianças e adolescentes portadores de HIV/Aids em Curitiba", a jornalista Dayane Carvalho apresenta o dia-a-dia e as dificuldades da adoção de crianças e adolescentes com HIV na Capital.
Sensibilizada pela realidade dos jovens abrigados em casas de apoio, ela conheceu de perto a relação de amor criada com os pais adotivos. "Meu objetivo com o livro é fazer com que as pessoas saibam da possibilidade de adotar um filho HIV positivo. Que elas saibam que uma criança ou um adolescente soropositivo deve ser tratado como qualquer outra criança ou adolescente, deve ter uma vida normal e precisa do carinho de um pai e/ou de uma mãe. Pois o afeto, o carinho e o amor ajudam a aumentar a imunidade do seu organismo, tornando-o mais forte para enfrentar a doença", explica.


Fonte: Folha de Londrina
Autor: Carolina Gabardo Belo


Texto completo disponível em www.jusbrasil.com.br

O GAALA NA OAB/SP

O GAALA, representado pela Assistente Social Sandra Vicente Leal, esteve presente no II Encontro Estadual de Adoção, promovido pela OAB-SP, no dia 27 de novembro de 2010 – 8h30 às 17h15

Foram apresentados os seguintes temas:

- As etapas do processo de habilitação para adoção e os aspectos legais e práticos do processo de adoção
Expositores:
Dra. Eunice Ferreira Granato, Advogada, membro efetivo da comissão Especial de Direito à Adoção da OAB- SP e Diretora Jurídica do Grupo de Apoio à Adoção de Itapetininga
Dra. Nadia Aparecida Ranieri, advogada e Membro da Comissão Especial de Direito à Adoção da OAB-SP

- Legitimidade da ação nos processos de Destituição do Poder Familiar
Expositor:
Dr. Francismar Lamenza, Promotor de Justiça da Vara da Infância e Juventude do Foro Regional da Lapa/Capital As etapas do processo de habilitação para adoção e os aspectos legais e práticos do processo de adoção-

- Audiências concentradas: uma avaliação dos resultados
Expositores:
Dr. Eduardo Rezende de Melo, Juiz da Infância e Juventude da Comarca de São Caetano e Membro da Coordenadoria da Infância e Juventude do TJSP
Nelson Aidá Filho, Coordenador do Abrigo Santa Terezinha (Carapicuiba) e Membro da Comissão Especial de Direito à Adoção

- Adoção com crianças portadoras de necessidades especiais
Expositor: Dr. Claudio Barsanti, Advogado, Médico e Diretor da Sociedade Brasileira de Pediatria
Depoimentos de duas famílias que adotaram crianças portadores de necessidades especiais, Sr. Bandeira (família de Diadema) e Sra. Carla (família de São Vicente)

- Adoção Internacional: ainda é necessária no Brasil
Expositores:
Dr. Antonio Carlos Berlini, Advogado e Presidente da Comissão Especial de Direito à Adoção;
Dra. Andrea Verotti, Advogada e Membro da Comissão Especial de Direito à Adoção

GAALA na mídia


Nosso grupo anda conquistando espaços... Estamos no Tribuna on line, é só acessar:



PRÓXIMA REUNIÃO





Nossa próxima reunião está chegando. É nesta 5ª feira, dia 18/11, das 20:00 às 21:30 hs.


Nossa Palestrante será a Assistente Social Judiciário Sandra Vicente Leal do Fórum de Praia Grande.


O tema abordado será diferentes adoções.


Contamos com a presença de todos.

MÃE É TUDO IGUAL


"Eu não gerei meus filhos. A vida não me deu esta oportunidade, até porque eu não fui atrás de fazer com que ela me desse! Não quis fazer tratamentos nem exames doloridos. Achava que para ser mãe eu não precisaria sofrer mais do que pela espera por eles.Eu sabia que tinha filhos para mim em algum lugar e que eram 4, mas eu não sentia que precisasse sentir dor, me submeter a doses massissas de hormônios, piorar ainda mais o que já é ruim em mim em questão hormonal, piorar ainda mais meu problema de obesidade, gastar um dinheiro que eu não tinha para ter um filho. Eu sabia que eles viriam e a adoção era o caminho!!!E agora vou falar algumas coisas à respeito da maternidade escolhida através da adoção!

Quando decidimos adotar um filho e comunicamos isso a parentes e amigos, todo mundo faz festa, boa parte nos cumprimenta dizendo: “ah, admiro vocês… que gesto nobre”.E aí, por mais que você explique que não é um gesto nobre, que é a espera por um filho, ninguém compreende. As pessoas passam a te olhar com um olhar que vai da admiração à pena e você vê nos olhares reticentes o pensamento de “coitada, não pode ter filhos”.E passamos a sentir nossa gravidez de uma forma solitária, sem os paparicos de uma grávida biológica, porque ou somos criticadas ou somos exaltadas, colocadas à altura de santas por estarmos, apenas, desejando ser mães!!!Isso aconteceu comigo! Não tive paparicos, não tive chá de bebê organizado pelas cunhadas – que organizavam chás para todas as crianças prestes a chegar na família -, mas tudo bem. o filho que eu esperava era meu, não dos outros!Quando o filho chega, todo mundo vem, olha com cara de pena para o seu filho e diz: “coitadinho, né?!? Como a mãe teve coragem de largar um bebê tão lindo?!?”. Mas, espera aí. Quem é a MÃE? Você está diante de uma mãe que acaba de ganhar um filho e diz uma frase destas? Meu coração se partia a cada comentário “sem maldade”, advindo da total falta de senso, caridade e amor, referidos à minha filha. Eu era A MÃE! Ela teve uma progenitora e uma mãe em duas pessoas diferentes. A mãe sou eu!

E aí seu filho vai crescendo e você vai ouvindo: “mas você não tem medo que ela vá procurar a mãe verdadeira?”. E mais uma vez eu digo: “Quem é a MÃE VERDADEIRA? Aquela que gerou e não pôde ou não quis ficar ou você que está convivendo no dia a dia com a criança?”Então posso afirmar que “mãe verdadeira” não existe, porque se aceitarmos o conceito de “mãe verdaderia” teremos que admitir que existe uma “mãe falsa”. Tá, eu sempre fui considerada a mãe falsa pela sociedade, mas pela linguagem popular, sou a mãe verdadeira!!! rssMuita gente fala: “mãe é quem cria”, mas estas mesmas bocas te perguntam se você não tem medo que seu filho procure a progenitora, referindo-se a ela como “a mãe verdadeira”. Hipocrisia! Sendo assim, vamos fazer deste desabafo um momento de esclarecimento. O que existe são: mães biológicas e mães adotivas. Nenhuma delas é falsa.E quando você decide ter o segundo filho, ouve: “você vai adotar outra vez? Porque não tenta ter um filho seu?!”. Para tudo!!! Porque eu não tento ter um filho meu?! A outra filha que eu tenho é de quem, afinal de contas?! Eu sou a mãe, ela é minha filha! Qual a dúvida?E aí as bocas “sem maldade” completam seus questionamentos com um “ah, claro que ela é sua filha, afinal de contas você é quem cria, mas você já fez uma caridade, agora precisa tentar ter um filho seu mesmo, de verdade, do seu sangue”.

E quando você escuta coisas assim, cai sua ficha! Você é mãe, tem um filho, está esperando outro filho e não é considerada mãe, nem seus filhos considerados filhos! Somos pais e filhos de segunda linha em uma sociedade cheia de preconceitos enrustidos.Quem disse que quando eu adotei pensei em fazer caridade?! Adotei para ser MÃE, oras. Caridade a gente faz doando dinheiro para asilos, abrigos, abrigos de cães, fazendo trabalho voluntário em hospitais e comunidades carentes. Quem adota, adota para ter um filho, tal e qual quem engravida. Quem adota não pensa em fazer caridade, em salvar uma vida do mundo do crime, em tirar um coitadinho da rua, da miséria ou seja lá de onde for. Quem adota o faz para ser MÃE.E de mais a mais, quem disse que sangue diz alguma coisa na relação mãe x filhos, pai x filhos? Quem crê que sim, basta relembrar o caso da mocinha Suzane R., filha biológica, advinda de uma gravidez planejada, bem criada e tal…Apesar de pessoas assim, você segue sua vida e quando decide ter seu terceiro filho, pouca gente é comunicada, menos gente ainda participa. Você já cansou do verniz que as pessoas usam no preconceito e na discriminação e, como sua gestação é sem barriga e sem paparicos, você decide que será sem encheção de saco também.

O terceiro filho pouca gente visita, quase não ganha presentes. Você, definitivamente, é louca perante a sociedade, principalmente se seu filho chegar doente, afinal de contas se você pode escolher, porque aceitou uma criança doente?O quarto filho só pessoas muuuito próximas e não necessariamente parentes, ficam sabendo. Você só conta para pessoas que compartilham o desejo de adotar, mesmo, e nem faz ideia como será quando este filho chegar. Provavelmente será festejado só em casa, mesmo, entre papai, mamãe, irmãos e alguns pouquíssimos amigos de longe, que nunca te viram pessoalmente.Se eu tenho mágoas disso tudo?! Não, não tenho!!! Aprendi a conviver e descobri que o preconceito existe, sim, que está mais presente em nossa sociedade do que as pessoas imaginam e que se você não for forte, você é engolido por ele, sucumbe à depressão.Por isso não me dou o direito de ter preconceito contra nada, também não me dou o direito de julgar as decisões alheias. Escolhas são direito inalienáveis do ser. Você pode até não concordar com algumas escolhas das pessoas que ama, mas tem obrigação de respeitar.Por isso, aproveito sempre que posso para falar sobre o assunto, porque acredito que somente com informações é que se acaba com o preconceito! Pior do que isso tudo que eu passei é ver meus filhos, agora entrando na adolescência, serem bombardeados com perguntas movidas pela falta de conhecimento do que seja uma relação de filiação verdadeira.

Hoje já não perguntam mais para mim se não tenho medo que eles queiram procurar a mãe verdadeira. Hoje os amigos deles perguntam se eles não têm curiosidade de conhecer suas mães verdadeiras. E o preconceito vai sendo passado de geração a geração.Eles são bem orientados em casa e são multiplicadores dos conceitos corretos, explicam com paciência para os amigos sobre a inexistência de uma “mãe verdadeira” e colocam os conceitos em seus lugares, mas na minha modesta opinião, se não existisse de verdade preconceito, não haveriam mais crianças e adolescentes fazendo esse tipo de pergunta.E só para constar: não, eu não tenho medo!!! Se um dia eles quiserem procurar suas mães biológicas eu os ajudarei. Amor é algo que se conquista com a convivência do dia a dia e eu não tenho porque temer um encontro deles com uma desconhecida – que lhes deu à vida -, mas uma desconhecida.Isso tudo para dizer que mãe é tudo igual, que mãe é mãe, não importa de que forma ela se torna mãe. Se você teve a paciência de ler tudo isso, vou me atrever a deixar algumas dicas se, por acaso, você for pego de surpresa com a notícia de que alguém próximo vai adotar:- Não olhe com compaixão, nem pena. Adotar não é uma sentença, é uma escolha!- Não exalte o ato de adotar como algo sublime, não coloque a pessoa em questão nos pés de uma santa, porque isso magoa e ofende.- Trate seu parente ou amigo que vai adotar tal e qual trataria se ele estivesse esperando um filho biológico. Nós, mães adotivas, também gostamos de ganhar mimos para nossos filhos.- Quando visitar a família na chegada da criança, jamais olhe com pena nem diga “coitadinha, né?!”. Nenhuma mãe gosta de ouvir que seu filho é coitadinho! Se, por um lado, ele foi abandonado, por outro foi muito esperado e amado antes mesmo de nascer, então não existe nenhum coitadinho."

Escrito por
Claudia Gimenes, 41 anos, casada, mãe (24 horas por opção) de 3 filhos, e à espera de mais uma. Minhas atribuições diárias são: mãetorista, mãesicóloga, mãefessora, mãerientadora, mãeselheira, mãeducadora, mãezinheira, mãe, mãe, mãe… Também é mãe do blog Adoção Amor Verdadeiro."


CARTILHA SOBRE ADOÇÃO





Clique no link abaixo com a cartilha da adoção que acaba de ser lançada em Pernambuco.É uma cartilha ilustrada, em quadrinhos.




O que está para acontecer. Confira nossa agenda de novembro:



* Bingo Beneficente - Casa Crescer e Brilhar

dia 11/11/2010 (quinta-feira)
Horario 15:00 as 18:00h
Local Petrópoles Esporte Clube
Rua Niteroi, 47 - Jardim Independencia - São Vicente
R$ 10,00 por pessoa vale 10 cartelas + 1 Kit lanche

Diversos brindes esperam por vocês.

Luciana Mira
ADM
Casa Crescer e Brilhar
3464-1177 / 3463-5828
http://www.casacrescerebrilhar.org.br/




* GAALA

Data: 18/11/2010 às 20:00h.

Colégio Coc Novomundo na Av. Mal. Mallet, 392 no Canto do Forte

Palestrante: Sandra Leal Vieira - Assistente Social Judiciário/PG

Tema: Diferentes adoções



* Grupo de Estudos André Luiz

Palestra "Amor Exigente"

Orador: Dr. Carlos Cabral Cabrera - Promotor da Vara da Infância e Juventude de Praia Grande

Data: 25/11/2010 às 19:30h.

II Encontro Estadual de Adoção da OAB SP

Data: 27/11/2010 das 08:30 às 17:15hs no Auditório da FMU na Av. Liberdade, 749, 5º andar






Vídeo - Adoção Brasil



Não há necessidade de som, as imagens dizem tudo....

Que toda adoção possa ser assim, livre de preconceito

Ana Cristina

NOVO PROJETO DE LEI...

PAIS & FILHOS
Palmada em criança pode virar crime

Projeto de lei que pune os pais que derem uma simples palmada nos filhos divide os especialistas e provoca espanto nas famílias, que o consideram absurdo

HELOIZA AMARAL

Educação só na base da conversa. É o que estabelece o Projeto de Lei 2.654/03 da deputada federal Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul, que emenda o Estatuto da Criança e do Adolescente, estando na pauta da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovado, os pais ficarão proibidos de dar uma simples palmada nos filhos, porque o projeto proíbe qualquer tipo de castigo, inclusive castigos moderados. Já em seu caput, o projeto estabelece “o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos”. A proibição, de acordo com o Artigo 1º do projeto, se estende ao lar, à escola, à instituição de atendimento público ou privado e a locais públicos. Os pais que descumprirem a nova lei serão punidos de acordo com as sanções previstas no Artigo 129, incisos I, III, IV e VI do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Ou seja, os pais que derem palmadas nos filhos podem ser encaminhados ao programa oficial ou comunitário de proteção à família (inciso I do Estatuto); a tratamento psicológico ou psiquiátrico (inciso III); a cursos ou programas de orientação (inciso IV) e obrigados a encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado (inciso VI). O projeto também prevê alteração no Artigo 1.634 do novo Código Civil (Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002), que passa a ter seguinte redação: “Compete aos pais, quanto à pessoa dos filhos menores, exigir, sem o uso de força física, moderada ou imoderada, que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição”.

O projeto de lei da deputada estabelece, ainda, que o Estado deve “estimular ações educativas continuadas destinadas a conscientizar o público sobre a ilicitude do uso da violência contra criança e adolescente, ainda que sob a alegação de propósitos pedagógicos” e “divulgar instrumentos nacionais e internacionais de proteção dos direitos da criança e do adolescente”. Além disso, prevê reformas curriculares na escola, entre as quais a introdução, no currículo do ensino básico e médio, de um tema transversal referente aos direitos da criança.


Morgana Custódio Lima, administradora: diálogo com os filhos
De acordo com a deputada Maria do Rosário, a agressão física deseduca e deve ser proibida, sob pena de os pais serem encaminhados a programas oficiais ou comunitários de proteção da família. Até o momento, não há nenhum tópico a respeito da perda da guarda dos filhos. “Não se trata da criminalização da violência moderada, mas da explicitação de que essa conduta não condiz com o direito”, diz a deputada ao justificar o projeto, que foi sugerido pelo Laboratório de Estudos da Criança da Universidade de São Paulo, depois de conseguir a assinatura de 232 mil 600 brasileiros, argentinos e peruanos.

A proposta de Maria do Rosário não precisa ser apreciada pelo plenário da Câmara dos Deputados, indo direto para o Senado.


Lula defende projeto contra palmadas que está no Congresso

Senadora Patrícia Saboya defenderá a proposta no Senado

15/07/2010

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu apoio do Congresso nesta quarta-feira para aprovar projeto de lei do governo que inclui "castigo corporal" e "tratamento cruel e degradante" como violações dos direitos na infância e adolescência. Hoje, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) fala em "maus tratos", mas não especifica os castigos que não podem ser aplicados por pais, mães e responsáveis.
Lula afirmou que o projeto será criticado pelos setores conservadores da sociedade, mas que o governo está preparado para esse debate.

Coordenadora no Senado da Frente Parlamentar pelos Direitos da Criança e do Adolescente, a senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) defende o projeto e lutará por ele na Casa. "De forma alguma qualquer tipo de violência pode ser um caminho para se educar uma criança", afirma Patrícia. "Violência gera violência e ela começa com um tapinha. A pessoa que apanha quando criança pode passar a achar que é por meio de violência que se consegue coisas na vida", ressalta a senadora. "Adultos violentos muitas vezes são justamente aqueles que sofreram algum tipo de castigo físico quando crianças. As pessoas tendem a repetir padrões", explica Patrícia, que é pedagoga por formação.

"Beliscão é uma coisa que dói pra c...", disse o presidente Lula e complementou que se considera uma pessoa "abençoada" por nunca ter apanhado dos pais. "Meu pai era um homem bruto, quem viu o filme [Lula, o Filho do Brasil] sabe, mas nunca apanhei dele e nunca bati nos meus filhos", afirmou.
Lula disse que falta conversa entre pais e filhos, principalmente para discutir sobre sexo. Afirmou que os pais não têm tempo para os filhos, mas conseguem encontrar tempo para "tomar cerveja".



Folha de São Paulo com Assessoria de Imprensa

FONTE: http://www.senado.gov.br/senadores/senador/PatriciaSaboya/s_boletim.asp?codigo=82802

REPORTAGEM NA TVB




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A Lenilde do GRUPO DE APOIO À ADOÇÃO DE JOÃO PESSOA-GEAD-JP,particpou de uma entrevista no dia 26/03/10 feita pela TV CABO BRANCO.Onde ela pode passar alumas informações sobre adoção e grupos.Foi rápido,mas muito produtivo,Vale a pena assistir.Entre no link: http://bomdia.cabobranco.tv.br/index.php?ev=1&d=2010-03-26